Pecadores ainda nas mãos de um Deus irado
''A sua imundícia está nas suas saias; ela não pensava no seu fim; por isso, caiu de modo espantoso e não tem quem a console'' (LAMENTAÇÕES 1.9)
Estes vis pecadores, dentre os quais todos nós estávamos, estão envoltos em seus crimes hediondos. O pecado neles é tão evidente quanto o sol que sai pela manhã. Por isto, a ira de Deus é contra eles em justiça, e o cálice de Sua cólera, já cheio pela Danação que lhes está preperada, se derrama sobre eles como uma cachoeiro que cai sobre os rios. Os pecadores, estando debaixo do justo castigo de Deus, não têm possibilidade alguma de escaparem do Inferno, para o qual eles caminham ao longo de toda a sua vida.
O texto que escolhi para o meu sermão - ''A sua imundícia está nas suas saias; ela não pensava no seu fim; por isto, caiu de modo espantoso e não tem quem a console'' - exemplifica bem a miséria em que se encontram estes imundos e a condenação que lhes espera. Quero, agora, me deter na primeira parte do versículo: ''A sua imundícia está nas suas saias''.
1. Este trecho implica que o pecado dos homens é tão arraigado em sua natureza corrupta que aquilo que deveria lhes cobrir é tomado como símbolo mesmo de sua vergonha. As suas roupas, as suas saias estão manchadas pelo sangue, pela sujeira que é o pecado. Eles se cobrem com o erro e se enrolam na coberta da ofensa. Em sua carne só habita a culpa, a falta, o delito - estão eles presos num profundo poço de perdição, jogados na lama da iniquidade, da qual não podem sair.
2. Outra implicação deste trecho é a seguinte: quando nos vestimos, nós escolhemos intencionalmente as nossas roupas. Ninguém nos obriga a nos vestir de uma deteminada maneira - e não somos forçados a isto. Pelo contrário, somos nós mesmos que, conscientes de nossas ações, preferimos um certo tipo de traje em detrimento de outro. Da mesma forma, estes ímpios obstinados não apenas pecam, mas também - e acima de tudo - eles pecam por que querem, porque desejam pecar. Com efeito, o seu coração é maligno, satânico e diabólico, porque almejam o mal intencional e conscientemente. Nós dizemos que uma pessoa que comete crimes por prazer é um monstro, e não sem razão, porque a maldade intencional é pior do que a incosciente. Mas nos esquecemos que os homens, todos os dias, se levantam contra Deus e cospem em seu rosto, intencionalmente, porque o simples acordar dos homens é uma ofensa ao Senhor, visto que Sua justiça requer a morte de todos eles. Com que adjetivo vamos os chamar?
3. Nem sempre nos concentramos nas roupas que vestimos. Sim, na maior parte do tempo, não nos atentamos para os vários detalhes de nossas vestimentas. Até a cor delas, às vezes, passam por derpercebidas, quanto mais os pequenos detalhes de estampa! Assim, os homens tão desgraçadamente pecam contra Deus que, na grande maioria das vezes, o fazem sem perceber. Mesmo o seu incosciente está inclinado por natureza à podridão, e mesmo de maneira não intencional, os homens se comportam piores que animais selvagens.
4. É sinal de relativa normalidade estarmos vestidos, tanto é assim que não toleramos um adulto nu diante de nós. Toda a sociedade anda vestida, de modo que reputamos por loucos aqueles que andam despidos. Com efeito, também o pecado dentre os homens é a norma: ninguém em absoluto pode se despir desta carne pecaminosa e corrupta. A ofensa é parte inalienável de sua natureza caída, e eles se vestem do ódio como se vestem de roupas. A corrupção está impregnada em suas vestes como coisa imunda que molha um pano branco. Tal é sua depravação que se assemelham à fétidas latrinas.
5. A conclusão a que chegamos é que ''todos pecaram e carecem da glória de Deus'' (Rm 3.23). Suas roupas estão manchadas e infectadas pela poluição da carne. Todos estão jogados no mar de imundícia, presos pelas cadeias da ofensa e do terror. Todos são escravos do pecado, sanguinários animais que buscam o seu próprio prazer imediato. Corruptos, para quem a ira do Deus Vivo é Sua justa retribuição; filhos da ira, cujo coração arde intensamente em direção ao erro. A eles basta o Inferno de fogo, e a perdição eterna, e o Terror de Deus.
Agora, eu gostaria de nos deter na segunda parte do versículo, que diz: ''ela não pensava no seu fim''. Quão odioso são estes homens, pois eles pecam e não pensam em seu fim. Sim, eles não pensam no ardor da Ira do Deus Todo-Poderoso, o qual se levantará contra eles como um forte touro que corre contra canas secas. A sua condenação não tarda, pois de um modo ou de outro, a vingança será cumprida e a mão forte do Senhor Deus estará sobre eles eternamente. Com relação às palavras: ''ela não pensava no seu fim'', destaca-se os seguintes pontos:
1. Estes pecadores ignoram a justiça de Deus. O seu erro lhes oculta aquele dia em que tudo será desfeito num estrondo e todos os elementos, abrasados, serão consumidos pelo fogo. Eles pensam que podem escapar das mãos de Deus como tenta o pássaro escapar da armadilha. Mas assim como a alva, a Sua vinda é certa, e Ele virá como a chuva a arrebentar os dentes dos pecadores.
2. Aqueles que deveriam lhes informar sobre a futura Danação e não o fazem também serão destruídos. Sim, pode ser o caso dos pecadores não serem salvos da ira por que nunca lhes foi dito sobre a ira. Eles permanecem no erro por que outros não lhes mostraram o caminho que conduz á vida. Estes também sofrerão o juízo de Deus, porque são falsos profetas e falsos mestres. ''Os teus profetas te anunciaram visões falsas e absurdas, e não manifestaram a tua maldade, para restaurarem a tua sorte, mas te anunciaram visões de sentenças falsas, que te levaram para o cativeiro'' (Lm 2.14). Estes trapaceiros que não ensinam a verdade serão engolidos pelo Inferno, porque são filhos da destruição, servos bestiais das trevas, guias cegos, sepulcros caíados. São proles de Satanás estes que levam os criminosos ao Inferno por não lhes ensinar sobre a vida que é Jesus. Malignos, ''árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas'' (Jd 12); ''melhor fora que se lhe pendurase ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado ao mar, do que fazer tropeçar a um destes peqeuninos'' (Lc 17.2).
3. Os pecadores pensam estarem salvos. Eles olham a sua vida e pensam que viverão para sempre, ou que podem contornar a morte. Em seus prazeres, vivem despreocupadamente. Comem, bebem, casam-se - a morte não interessa a eles. Eles pecam constantemente e acham que Deus não se importa; vivem suas vidas ao seu bel prazer como se no final não fossem se encontra com sua perdição. Eles pensam que podem adiam o dia da prestação de contas, voar sobre o Abismo com asas, cruzar o Inferno com um pulo. Tolos! Em toda a sua vida, eles andam por sobre o Abismo e caminham sobre o Lago de Fogo. Correm rumo à sua própria destruição, mesmo que não saibam. Eles estão sempre, à cada minuto, no fim de suas vidas. Desde o seu nascimento, a morte lhes encara, esperando ceifar sua pouca vida num só golpe. Eles estão debaixo da condenação: a longa espada de Jeová, inflamada com sua ira, está sobre suas cabeças, esperando o momento em que a ordem será dada e ela a arrancará de seus corpos. A flecha do Senhor está já posta no arco e aponta rumo ao coração dos ímpios. Eles caminham, mesmo sem darem conta, rumo ao encontro com Deus, o qual os esmagará em Sua ira e os aniquilará pelo esplendor de Sua vinda. Para onde vão, o Inferno lhes acompanha, e já abre sua boca para lhes tragar. O dilúvio da justiça corre atrás deles como uma leão avança sobre a sua presa. Por mais que estejam cantando, por mais que estejam se alegrando, por mais que estejam celebrando a vida - sua alegria só irá durar um pouco, mas seu sofrimento será eterno. As almas dos que agora sofrem o castigo de Deus choram pela vida destes pecadores, porque em breve eles estarão com elas. E do que adiantou sua alegria? Se soubessem o que os espera, certamente estariam desesperados; ao invés de cantarem, estariam chorando e lamentando o seu fim. Eles se contorcerão de dor e darão os mais bizarros gemidos nunca antes ouvidos dentre os homens por causa do sofrimento que Deus lhes afligirá. Olharão para o futuro e verão apenas uma eternidade que não acabará: Permanecerão na mesma intensa dor por longos e demorados tempos, por toda a eternidade, por todo o sempre.
4. ''Ela não pensavam em seu fim''. Triste estado dos pecadores que não atentam para a sua própria morte. Quão superficiais são os risos de sua boca, pois o Inferno calará o riso para sempre; quão sensível é a sua alegria, pois tão logo morram e a mesma alegria se transforma em pavor. O que antes os fazia alegres não mais existirá. O que lhes espera acabará com esta alegria. O terror da justiça de Deus atormentará estas pessoas. Eles pensarão como tolamente andaram em vida, mas não poderão fazer mais nada, porque a Danação já os abraçará e nunca os largará. Do que adiantou uma vida de prazeres se agora estas pobres almas lamentam o estado em que se encontram? E dele jamais sairão, porque sua condenação é justa.
5. Estes ímpios ainda vivem. Sim, muitos andam neste caminho de destruição. Na verdade, a maioria das pessoas pensam poderem se livrar de Deus. Elas não pensam em seu fim, porque ele está longe. Elas continuam em sua iniquidades e não ligam. Há muitas pessoas dentro desta Igreja que são estas pessoas malignas: nestas cadeiras talvez possa estar sentado o próximo que será jogado no Inferno. Muitos aqui dentro, quando morrerem, embora digam que são cristãos, serão vomitados da boca do Senhor. Muitos de vocês dizem que são cristãos, mas são, na verdade, filhos da ira, preparados para a destruição. Muito provavelmente você conhece alguém que em breve será condenada por Deus: você anda, fala, se relaciona com um iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com a sopro de Sua boca. Talvez você seja este perverso. O precipício se alarga para devorar você, e por mais que você tente, não há como fugir dele, pois o mar da indignação de Deus correr atrás de você, porque a justiça requer o seu sangue.
6. Concluímos que a condenação do pecado é horrível, mas certa como a luz do sol. Não há palavras para descrever a deplorável natureza desta morte, porque ela nada mais é do que a manifestação do juízo infinito de Jeová e a Danação que tanto merecem os pecadores. E a razão pela qual eles não estão, todos, no Inferno neste exato momento deve-se por causa da misericórdia de Deus unicamente, mas a justiça, um dia, será consumada e destruídos serão todos os perversos.
Agora, eu gostaria de nos deter na terceira parte do versículo aqui tratado, que diz: ''caiu de modo espantoso''. Esta parte não esclarece tanto o lugar onde os pecadores serão lançados quanto o modo, a maneira pela qual serão lançados, e que será ''espantosa''. O Senhor está encolerizado em relação ao pecado, e esta Sua cólera ardente, que transborda o Seu cálice de fúria, é a razão pela qual os penitentes serão atirados no profundo das trevas de maneira violenta, e sanguinária, e dolorida. Com efeito, analisemos os seguintes pontos:
1. Se eles caíram alguma vez é por que, antes, estavam de pé. Se eles irão cair é por que, agora, eles permanecem relativamente firmes, de pé. Eles até podem estar de pé neste exato momento, mas a verdade de Deus e Sua justiça dizem que eles cairão nas trevas, que os seus pés, antes firmes, vacilarão. É Deus quem os sustenta de pé, e isto em função de Sua bondosa misericórdia. Mas isto não significa que Ele não esteja irado contra estes maldosos e que Sua ira não é tão absoluta como se supõem. Pelo contrário, a espada da justiça clama a vida dos perversos, esperando tão somente a ordem do Deus Vivo. Sim, a Sua ira arde intensamente contra os corruptos. Mas, como está escrito, ''as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim'' (Lm 3.22). Se os pecadores estão agora de pé é por que Deus quer isto; mas não se enganem, pois tão logo a ordem do bom Senhor Deus for emitida, então a espada do juízo arrancará, num só golpe, a cabeça dos ímpios.
2. Os pecadores serão derrubados por Deus. Eles estão de pé, mas não por muito tempo. Eles andam por lugares escorregadios, bastando apenas o peso de seu corpo para cair. E quando caem, seu estado torna-se horripilante. E caem por que Deus lhes derruba. O Senhor avança contra eles com toda a Sua força e com toda a Sua ira. Quem poderá aguentar a mão dAquele que, sozinho, arquitetou todo o Universo para a Sua glória? Porque, quando Deus se levanta em Sua ira, os montes se derretem, os céus se enrolam como um manto e são consumidos pelo fogo; o mar seca e as árvores são arrancadas do solo; toda a existência, em uníssono, se fragmenta diante da sublimidade da glória de Deus na face de Jesus. E quem são este specadores? Eles serão dstroçados pela mão do Senhor Deus e serão consumidos pela braveza de Seu poder. Deus cairá sobre eles e será tal Seu estrago como o estrago de um elefante que cai sobre uma formiga. Que imagem amendrontadora é esta, porque Deus vem ''com milhares de seus santos, para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios'' (Jd 14 e 15).
3. Podemos, portanto, concluir que a justiça de Deus é aplicada por Ele mesmo contra todos os trapaceiros e criminosos, e que esta condenação em si mesma justa que os espera não pode ser cogitada, pois é extrema e poderosa.
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